A sequência inicial de O Lobisomen (The Wolfman, 2010) quase me mata de susto. E foi só. A partir daí a coisa foi ficando meio monótona, o que é terrível em se tratando de um filme de terror.
Apesar disso, e você pode achar contraditório, gostei do filme. Mais por se tratar de uma homenagem aos antigos filmes da criatura. O filme não é ruim. Só não dá medo. Pelo menos não na maior parte. Tecnicamente, entretanto, é irrepreensível.
O filme deve ser elogiado pela tentativa (e relativo êxito) em trazer de volta o lobisomen como era tratado em sua forma original. Você não verá os bichos protegendo adolescentes virgens de vampiros que brilham ao sol (é, eu tinha que fazer essa referência…). Muita violência, um monstro que não conhece amigos, parentes, homens, mulheres ou qualquer um. Apenas uma fera que devora tudo que encontra pela frente. Assustadora.
Um detalhe: a computação gráfica foi usado com parcimônia. O que se revelou uma excelente tática. O bicho é Benicio Del Toro embaixo de muita maquiagem. Tudo muito bem feito. A gente não vê aqueles bonecos animados que aparecem em Anjos da Noite, por exemplo. A transformação teve ajuda dos computadores e ficou muito legal, mas a maior parte é mesmo maquiagem.
O design da criatura é nota dez. Gostei muito das cenas em que ele aparece correndo, ora em duas pernas, ora em quatro patas.
A trama é conhecida: homem chega a sua cidade natal para investigar o sumiço de seu irmão e descobre que ele foi morto e seu corpo encontrado dilacerado. Durante as investigações ele é mordido pelo lobisomen e herda a maldição. Adaptação do filme original dos anos 40, com algumas modificações importantes, este O Lobisomen fez a escolha acertada de ambientar a trama nos arredores da Londres do século XIX, com suas vilas sujas, castelos imensos, grandes florestas e uma sociedade ainda rural com inúmeras supertições.
Um detalhe curioso: a presença do inspetor Abberline que investigou o caso Jack, o Estripador. Só pela referência e pelo gancho para uma provável continuação. Isso se o filme tiver algum êxito nas bilheterias. Digo isto porque, no filme, o inspetor não é lá dos muitos inteligentes (o que é uma pena pois é interpretado por Hugo Weaving). Logo na primeira aparição o cara acusa o personagem de Del Toro de ser o assassino que matou o próprio irmão. Isso sem nenhuma justificativa e até mesmo sendo uma hipótese impossível, pelo desenrolar dos acontecimentos até ali.
Como disse, gostei muito da cena inicial. Além dela, a cena do ataque ao acampamento cigano e a perseguição à criatura em Londres. Um filme bom que poderia ter sido muito melhor se tivesse conseguido gerar o tipo de terror que o original tinha. Mas hoje, com a violência sendo algo normal em qualquer filme de sessão da tarde e os lobisomens sendo usados como personagens de Street Fighter, acho que esse tipo de terror está cada vez mais difícil.
De qualquer modo, espero uma continuação. Gosto do tema. E que venham mais monstros da saudosa Universal por ai…





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